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Fósforos - 2ª parte

.... Dera um pulo ao ouvir a coruja. Tinha adormecido a ler o livro. Olhou as horas. Passavam das 20h. Levantou-se meio estremunhado. Olhou pela janela, ainda semi aberta, o campo lá fora. A casa de Júlia continuava ás escuras. Fechou o resto do estore e dirigiu-se para a cozinha. Na televisão um homem de óculos anunciava algo. Aqueceu a comida - Esparguete à bolonhesa...um prato que apreciava. Pôs um copo de sumo na mesa e sentou-se a olhar a televisão. Lá fora a chuva tinha amainado, mas o céu continuava nublado como um torvelinho. Sentia-se ligeiramente zonzo. Ele sabia o que era. Dormir de tarde deixava-o assim. O corpo mole, pele ligeiramente viscosa, e uma espécie de ansiedade inconsciente. Comeu lentamente, deixando-se por vezes absorver por alguma noticia na televisão. Só quando acabou de comer é que refletiu sobre o estranho encontro. No inicio tinha tido medo, depois calma, mas ficara uma estranha sensação. Tinha a perfeita noção que a sua casa se transfo...

Fosforos - parte 1

Era um dia sombrio. O Céu estava enevoado e uma chuva forte caia. Ele desceu até à vila para comprar o jornal e umas quantas peças de fruta. Detestava ter que sair de casa com o tempo assim. Devia ter-se lembrado quando saíra da escola do recado dos pais. Amaldiçoou-se de novo, ao mesmo tempo que um estrondoso relâmpago deu de si. Compras feitas e regressar a casa. Um frio insidioso tentava invadir-lhe até aos ossos. Abotoou mais a gabardina e ajeitou o gorro. Nesse momento o vento levantou-se com força e virou-lhe o chapéu de chuva. Quão estranho é o vento - feroz, inesperado e arrebatador! Tal foi a força que após se retorcer todo, o chapéu saiu disparado das suas mãos e foi embater perto dum caixote do lixo, num beco ali perto. Já tinha quase pensado em abandonar o chapéu, mas resolveu apanha-lo. Podia ser que tivesse conserto. Percorreu alguns metros, saltitando entre poças e entre sacos do lixo rotos, entrou no beco. Ali estava o chapéu, completamente partido. Mal se ab...

La Piel que Habito

Foi apenas ontem, vergonhosamente atrasado, que vi o filme A Pele onde eu vivo de Pedro Almodóvar. Devo confessar que as criticas e o trailer não me fascinavam, e conferiam uma ideia de filme weird, too much away from Almodóvar. Mas isso é mentira... O Filme é dos mais raros de Almodóvar, mas toda a história está perfeitamente encadeada, as tramas dentro da trama são absolutamente almodovarianas - gays, sexo, personagens estereotipadas, etc... É uma combinação até muito engenhosa, diria de génio, uma mescla do amadurecimento do realizador ( da sua faceta de Tudo Sobre a minha mãe, Hable con ella,etc) com a sua jovialidade irreverente do final dos  anos 80 ( de filmes como Ata-me e Mulheres à beira de um ataque de nervos). Devorei o filme do inicio ao fim....com uma sublime musica de Alberto Iglesias imiscuido com Buika e Trentemoller. Confesso que Shades of marble era um tema que não me dizia nada....para um tema absolutamente fascinante que acabou por me seduzir no...

NO capitulo III

O hospital de San Vincent era o que ficava mais proximo de Ausbreyville. E perto era ironia. Ficava a cerca de 40km da vila, no coraçao da cidade insular de San Benito e San Vincent. Debbie tinha acabado de ter alta clinica. Ela ja sabia ha muitos anos que sofria de epilepsia. Ja fizera dezenas de exames, mas nenhum medico lhe sabia explicar a verdadeira causa dos ataques. Debbie conhecida de cor quando algo lhe ia acontecer: primeiro a cabeça começava a latejar, depois sentia dores e formigueiro nas extremidades dos dedos dos pés e das maos, pouco a pouco ia subindo uma nausea acompanhada de uma enxaqueca incontrolavel, seguiam-se depois imagens na sua cabeça, como se de um filme se tratasse, até atingir o auge, uma dor fortissima no peito e na cabeça, que a fazia perder a consciencia..... Quando acordara no chao da sua casa em Ausbreyville, Debbie compreendera imediatamente que tinha tido um ataque. Ha mais de 9 meses que tal nao lhe ocorria. Reunira pouco a pouco forças para se leva...

NO capitulo II

Debbie olhava o mar. Ali no promontorio de Ausbreyville, perto da casa que lhe coubera na herança da sua mae. A casa tinha mais de 80 anos. Pertencera a sua tia-avó Elizabeth, e passara depois para a sua avó Manderley, e mais tarde para a sua mae. E agora era de Debbie. Debbie tinha cerca dos seus 33 anos. Cabelo ruivo, olhar esquivo, feiçoes esbranquiçadas, usava sempre (ou quase sempre) jeans e gostava de vestir peças baratas, nunca se importando com marcas ou outro tipo de etiquetas. Como fotografa que era, Debbie procurava ver sempre as coisas de um prisma diferente. quando na herança da sua mae lhe coube a velha casa de Ausbreyville, ela nao pulou de contente, mas nao ficou tambem chateada por ter ficado sem o apartamento de sua mae, que calhou ao seu irmao mais velho, Junot. Ausbreyville tinha menos de 30 pessoas. Contaram-lhe que sempre fora uma vila pequena. Uma vila perdida, que vivia do mar e da agricultura. Debbie vivera sempre na capital. Mudar-se para Ausbreyville era algo...

Novela Online

A que quiser contribuir envie um mail para joaofilipefranco@gmail.com . Pode contribuir com um capitulo ou apenas um paragrafo.... I ''Querida Manderley, enquanto te escrevo esta carta a minha alma entrou numa angustia tremenda. Sei que isto pode parecer ridiculo, mas acho que estou a ser vigiada. Nao me perguntes porque, ou como, porque nao te saberei responder. E nao julgues tambem que isto é um delirio de uma recem-casada que nao tem nada, nem ninguem com quem conversar. Bem sabes que Ausbreyville fica ao lado de um promontorio, e que a nossa casa fica a mais de seiscentos passos da vila, mas nao é a solidao que me assusta. Ja passei por periodos bem piores, quando o Pierre teve tuberculose e fiquei aqui sozinha, com a companhia matinal da Tia Sarah, mas ficando as tardes e as noites aos cuidados de July, o meu pequeno gato de olhos verdes.... Pierre passa os dias na praia, corre pela praia, deita-se ao mar, buscando um sopro de criatividade para as suas telas. Depois que a ...