Barcelona é uma cidade real e sem máscaras. Temos que ver sempre a cidade real . É difícil ver a cidade real. E quando falo da cidade falo de objectos, de pessoas, de histórias, de nós mesmos. Vemos sempre o que os nossos medos, projecções, ilusões, conceitos e preconceitos, expectativas e desilusões querem. Somos escravos do nosso próprio pensamento sobre o objecto real. Há uma profundidade no real que é deturpada a cada momento, a cada instante, por cada um de nós. Revestimos os sítios, pessoas, eventos e acontecimentos de uma teia, qual filigrana de emoções, sensações, preconceitos, julgamentos, ideias, medos e ansiedades, passado e projecções futuras. Barcelona não tem passado, nem futuro, não é sim ou sopas. É o que É. É na Entrega, na redenção ao Real que permitimos que o Real se manifeste na nossa vida, por vezes até de uma forma quase irreal. Despir a roupagem que projectamos para um dia na cidade permite um alivio. Nada daquilo é o que pensaste, nem tu és o que pen...