Já não é a primeira, nem segunda e talvez nem a terceira. Chegar, mas vir tão carregado de ansiedades, medos e projecções, que nada corresponde a nada. Chego a cidade e de repente....um desconforto. Quero voltar para casa. Quero fazer mil planos no sitio que conheço. Quero fugir dali. A minha mente preocupa-se ou desvaloriza, tudo parece sujo, banal ou desinteressante. Nada se assemelha a nada do que pensei ver, viver, vir a ter. Porque sonho... o sonho projecta... e quando chegamos nada é como pensamos que iria ser. Imagina eu, que sonho um mundo com hollywood ending type ou disney....e nada aparece, nada acontece... a não ser uma rua banal, pessoas sórdidas e vazios. O desconforto instala-se. Fecho-me no hotel. Então o desconforto cessa pouco a pouco. Ele cessa, porque aquilo que trazemos em nós, também começa a cessar. Quando olhamos o que quer que seja sem projecção, podemos ver o real, em total aceitação. A rua mais feia torna-se primeiro banal, e depois, petit à petit,...
O valor do incenso está no aroma que liberta quando é aceso. Incenso que nunca se acende não cumpre o seu desígnio. E, quando finalmente é aceso, começa a reduzir-se. Parece desaparecer. Mas é precisamente nesse momento que começa a cumprir aquilo para que existe. Ao arder, liberta o seu fumo e a sua fragrância. E talvez haja aqui algo do ser humano. Também nós nos libertamos através das nossas ações, das nossas palavras, da nossa presença, do amor que damos e daquilo que deixamos nos outros. O incenso cumpre a sua missão quando liberta o seu aroma. Mas deixa ele de existir? Não. Transforma-se. Pode ser respirado, as suas partículas viajam no vento, o seu fumo sobe ao alto. O que antes estava concentrado num pequeno pedaço de incenso espalha-se agora pelo espaço. E quando entramos numa casa e encontramos apenas aquilo que restou do incenso, poderíamos pensar que quase nada ficou. Mas então percebemos: ele adoçou a casa. Permaneceu no ar. Levou para o alto a nossa devoção. Espalho...