terça-feira, 24 de março de 2026

Um mundo em chamas

 



“O mundo não está em crise por falta de tecnologia, mas por falta de consciência.''

OSHO


sábado, 8 de novembro de 2025




 Se Deus existe como me ensinaram — um pai perfeito —

porque é que me sinto órfão neste mundo?


terça-feira, 23 de setembro de 2025

Ce soir c'est une chanson d' automne
Dans la maison qui frissonne
Et je pense aux jours lointains



sábado, 9 de agosto de 2025

Caminho até a Serra do Socorro

 14km separam a minha casa do alto da Serra do Socorro.
Há muito tempo que queria ir até lá....se tinha feito 118km em 6 dias no Caminho de Santiago, porque não ir até lá?

Durante muito tempo protelei, procrastinei, custava levantar as 5h da manhã, pensar no retorno etc.
Mas há uns dois meses que tenho caminhado todos os dias, por isso senti-me mais preparado.
Um dia destes experimentei levantar as 5h40, consegui e fiz pequena caminhada.

Foi então hoje a prova de superação.
Serra do Socorro - a minha peregrinação, fisica, espiritual, religiosa e ao mesmo tempo nenhuma delas.

Levantei-me as 5h10, ainda me deixei estar uns minutos na ronha, depois ergui-me, lavei a cara, comi algo e lá sai de casa. 
Estava nevoeiro serrado, mas até era bom porque caminhar pela fresca sempre ajuda e eu sabia que o dia prometia calor á volta de 30 graus.

A Venda do Pinheiro parecia quase fantasmagórica aquela hora.




Avancei Asseiceira Grande, Roussada e finalmente cheguei ao meu primeiro checkpoint junto ao Manjar do Marquês. Tinha feito pouco mais de uma hora e aproveitei para comer uma peça de fruta e um rebuçado para ter energia.

A segunda etapa foi bem mais suave, ao contrário da primeira que tinha algumas subidas ingremes especialmente no final. Passei por muitos caminhos desérticos, com vistas de vinhas ao fundo... mas tudo ainda inundado de neblina e humidade. 








Num dia normal a Serra do Socorro seria vista a quilómetros de distancia...mas não hoje.
Cheguei perto da Enxara dos Cavaleiros onde era o fim da minha segunda etapa mas segui sem parar.
Finalmente atingi São Sebastião, aos pés da serra. Ai perguntei a distancia até ao alto do monte, um velhote disse que seriam 20 minutos no entanto o google maps dizia 40m. 




Acabei por levar 36 minutos. A distancia é muito curta, são apenas alguns quilometros, no entanto é sempre a pique. Ainda fiz uma parada para cumprimentar uns  burrinhos que andavam por ali a pastar.














As nuvens já começavam a se dissipar e podia observar a vista fantástica do alto da Serra do Socorro.
Aproveitei para descansar um pouco e apreciar a vista.

Senti-me muito feliz por finalmente ter conseguido atingir esse objectivo sem grande dificuldade. 

Depois começou a descida e nova saga porque obviamente que seria muito cansativo fazer novos 13km, então decidi ir até a Caneira Nova onde poderia apanhar autocarro de regresso a casa. 







Foram 7km bem suados mas muito gratificante - aldeias bonitas, casas muito brancas e arranjadas e claro extensos vinhais e campos de cultivo. 
Uma amiga minha telefonou entretanto e como vivia perto combinámos e trouxe-me para casa, poupando assim alguns euros.

Conclusão - 33381 passos, e uma manhã bem diferente. Sinto-me agora mais confiante para novas etapas e novos locais a explorar.




domingo, 3 de agosto de 2025

Reflexão de dias dolorosos



 ''Vejo-os passar.
  De mãos dadas, a rir, com planos para o jantar, para o futuro, para o fim de semana.

E eu fico aqui.
Na cadeira do café. No banco do shopping. No silêncio do quarto.
Com a sensação estranha de estar a ver a vida a acontecer… mas não para mim.

Não lhes desejo mal — pelo contrário.
A alegria deles até me comove.
Mas há qualquer coisa nessa alegria que me lembra tudo o que me falta.

Não é inveja. É ausência.
É o eco de um abraço que nunca veio.
É o espaço vazio ao lado na cama, no sofá, na vida.
É o nome que nunca foi dito com amor.

E então, mesmo quando sorrio por fora, o que me vem por dentro é esse pensamento:

“Como é que todos parecem saber viver… menos eu?”

Gostava de não sentir isto.
Gostava de olhar para eles e apenas sorrir.
Mas a verdade é que a alegria, a felicidade dos outros faz brilhar o meu próprio vazio com mais força.
E isso dói. Dói sem gritar. Dói sem se ver. Mas dói.''

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Um mundo sedento de calor humano

 

(pintura de Patrick Ennis)

Hoje fui passear pelo parque após o jantar.
Estava uma noite quente e no parque corria uma leve brisa.
Dezenas de pessoas passeavam por aí - umas brincavam com filhos, crianças com crianças, a maioria dos adolescentes jogavam basquete ou andavam de bicicleta, uns quantos idosos e alguns casais apenas se sentavam a observar tudo isso e muitos outros deambulavam de um lado para o outro.
Senti que muitos esperavam algo. Os avós esperavam um abraço, o homem solteiro uma companhia e até as crianças outras crianças para brincar.

Enquanto passava surgiu-me uma frase de Erling Kagge quando fez a sua excursão ao Polo Sul - ''já me senti mais sozinho em festas do que aqui, no meio da natureza.''

Um dia destes escrevi algo no meu notebook - ''Perder-me parece ser o meu antidoto para o suicídio.''
E é verdade, sinto-me menos só quando estou só que muitas vezes em grandes eventos ou grandes multidões. 
Tenho em mim o desejo como escrevi um dia - ''Tocarei com a mão pelas searas, rebolarei na terra fresca, sentirei o pó das ruas, beijarei rostos e lábios, beberei, sorrirei, dançarei, chorarei. (...) Eu sei que vai doer. O estomago vai roncar. As pernas vao parecer metais ferrugentos, os pés vao abrir.....
Mas estarei a viver.''

Ás vezes olho para trás e apesar de tantos vazios, de tanto tempo perdido, consigo perceber que quando segui o nada, esta intuição, estes insights foi quando fui mais feliz. Apesar de olhar para tanta dor, tanto vazio na minha vida, vejo momentos divertidos.
Já chamei a policia a meio da noite em Itália em busca de ladrões imaginários, já vivi da bondade de desconhecidos, já me afastei das meias fedorentas do meu amigo numa viagem de bus de Sevilha, já mergulhei em aguas cristalinas, ja me embeicei, já tive experiencias de surpresa, dor, desespero e até de loucura. Já me embebedei sem beber vinho, já pedi em casamento no meio de risadas e brincadeiras, já dormi numa sala com centenas de pessoas, ou partilhar quarto a 3, já tanta coisa me aconteceu.

E o que percebi foi que quando me despojei do medo, quando deixei o meu eu ser quem ele é, quando me fiz a estrada a vida me deu bons abraços e boas aventuras. 

Somos seres bípedes e foi talvez o bipedismo e a diáspora humana que foram moldando a evolução humana, sempre entre um passo atrás e um para a frente.
Hoje vivemos vidas mais presas. Cada vez mais presos atrás de computadores, de aplicações de encontros, de tentarmos parecer o que não somos, de não perdermos, sempre frenéticos para chegar a lado nenhum.

Hoje sei e devia ouvir que como dizia Jesus -  Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á..... e talvez seja isso mesmo. Talvez precisemos de perder o nosso eu, ou pelo menos as construções sociais, mentais e de baixa auto-estima que criamos, as fortalezas que erguemos, as dores que escondemos.

Olho o mundo e vejo um mundo podre. 
Um mundo gelado de ódios e rancores, de nacionalismos ficticios e ansias de poder.
Vejo uma sociedade solitária.
Cada vez menos se cumprimenta, se diz olá, se ajuda um desconhecido ou mesmo um conhecido.
Queremos todos AMAR e amar MUITO mas ficamos todos fechados.

Estamos parados.
E quanto mais parados estamos menos calor geramos e recebemos.
Achamos que ali é nosso.
Deixamos de andar dois passos.
E parados gelamos.
E continuamos todos sedentos de calor humano.

Precisamos de arriscar. 
Ás vezes, um passo de cada vez............


Um mundo em chamas

  “O mundo não está em crise por falta de tecnologia, mas por falta de consciência.'' OSHO