Ás vezes parece que oiço o barulho que o meu cão fazia com as patas quando ia começar a escavar. Mas rapidamente me lembro que já morreu.
Outras vezes vou ao quintal e parece que sinto um aroma do meu cão, tanto quando fazia xixi ou quando tinha estado a chuva e tinha o pelo molhado... são apenas segundos, fragmentos e logo desaparecem.
Em alguns momentos, parece que escuto a sua voz quando ia começar a ladrar... mas nada surge.
Quando regressei de férias sentia a casa ainda mais vazia... aliás, nem tinha ninguem a minha espera... podia lá ficar indefinidamente.
Quando me perguntam quando arranjo outro cão apenas respondo - ainda não.
Não ter cão faz me sentir a falta de ter cão.
Mas neste momento só me apetecia ter o Meu Cão.
Não ter cão liberta-me também das amarras da casa, que é apenas um constructo de memorias, limites e apegos agora.
Sento-me agora e espero...espero que o som do meu cão morto emerja de novo...mas ele não o faz....
Nada me prende, nada me limita, nada me pertence............
(ultima frase adaptada de Álvaro de Campos)
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