domingo, 6 de setembro de 2026

Como o incenso

 



O valor do incenso está no aroma que liberta quando é aceso.

Incenso que nunca se acende não cumpre o seu desígnio. E, quando finalmente é aceso, começa a reduzir-se. Parece desaparecer.

Mas é precisamente nesse momento que começa a cumprir aquilo para que existe.

Ao arder, liberta o seu fumo e a sua fragrância. E talvez haja aqui algo do ser humano.

Também nós nos libertamos através das nossas ações, das nossas palavras, da nossa presença, do amor que damos e daquilo que deixamos nos outros.

O incenso cumpre a sua missão quando liberta o seu aroma.

Mas deixa ele de existir?

Não.

Transforma-se.

Pode ser respirado, as suas partículas viajam no vento, o seu fumo sobe ao alto. O que antes estava concentrado num pequeno pedaço de incenso espalha-se agora pelo espaço.

E quando entramos numa casa e encontramos apenas aquilo que restou do incenso, poderíamos pensar que quase nada ficou.

Mas então percebemos:

ele adoçou a casa.

Permaneceu no ar.

Levou para o alto a nossa devoção.

Espalhou-se.

Deixou sempre o melhor de si.

Talvez devêssemos ser como o incenso.

Não tentar ser outra coisa, mas ser aquilo que somos no mais profundo de nós.

Arder enquanto estamos aqui.

Espalhar boas ações, amor e boas palavras.

Deixar a nossa presença tocar o mundo.

E, quando chegar o momento de deixarmos de ser aquilo que fomos, talvez não seja verdade que nada ficou.

Porque aquilo que verdadeiramente oferecemos nunca permanece apenas em nós.

Transforma-se.

Viaja.

Fica nos outros.

E continua o seu caminho.

Sejamos como o incenso: que, ao arder, deixe o mundo um pouco mais perfumado por ter passado por ele.

Como o incenso

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