O valor do incenso está no aroma que liberta quando é aceso.
Incenso que nunca se acende não cumpre o seu desígnio. E, quando finalmente é aceso, começa a reduzir-se. Parece desaparecer.
Mas é precisamente nesse momento que começa a cumprir aquilo para que existe.
Ao arder, liberta o seu fumo e a sua fragrância. E talvez haja aqui algo do ser humano.
Também nós nos libertamos através das nossas ações, das nossas palavras, da nossa presença, do amor que damos e daquilo que deixamos nos outros.
O incenso cumpre a sua missão quando liberta o seu aroma.
Mas deixa ele de existir?
Não.
Transforma-se.
Pode ser respirado, as suas partículas viajam no vento, o seu fumo sobe ao alto. O que antes estava concentrado num pequeno pedaço de incenso espalha-se agora pelo espaço.
E quando entramos numa casa e encontramos apenas aquilo que restou do incenso, poderíamos pensar que quase nada ficou.
Mas então percebemos:
ele adoçou a casa.
Permaneceu no ar.
Levou para o alto a nossa devoção.
Espalhou-se.
Deixou sempre o melhor de si.
Talvez devêssemos ser como o incenso.
Não tentar ser outra coisa, mas ser aquilo que somos no mais profundo de nós.
Arder enquanto estamos aqui.
Espalhar boas ações, amor e boas palavras.
Deixar a nossa presença tocar o mundo.
E, quando chegar o momento de deixarmos de ser aquilo que fomos, talvez não seja verdade que nada ficou.
Porque aquilo que verdadeiramente oferecemos nunca permanece apenas em nós.
Transforma-se.
Viaja.
Fica nos outros.
E continua o seu caminho.
Sejamos como o incenso: que, ao arder, deixe o mundo um pouco mais perfumado por ter passado por ele.